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Com temporâneos – Debates sobre Arquitetura

com temporâneosCom temporâneos

Com temporâneos é uma reunião que acontece todas as quintas-feiras, a partir das 16h00 na Sede do Colégio de Arquitetos (Rua Boa Vista, 108 – centro – Mogi das Cruzes – SP).

Onde é apresentado projetos de qualidades arquitetônicas, como também, palestras em vídeo com principais arquitetos da atualidade e que influenciam a Arquitetura Contemporânea. Continue lendo Com temporâneos – Debates sobre Arquitetura

Demolir não, Desconstruir sim

Demolir não, Desconstruir sim


Mogi das Cruzes como uma cidade quatrocentona, tem em seu território um grande número de casas que não aguentaram a força do tempo e o próprio crescimento urbano fazendo com que aos poucos fossem transformando em ruínas, ou mesmo sendo demolidas para ser edificado novos prédios, cuja arquitetura é de péssima qualidade.

Este processo continuará, e em cada demolição de um edifício, vai um pouco da história de nossa cidade, que já esta em processo de “conurbação”, o que significa a perda da sua identidade transformando em uma cidade genérica.

Para exemplificar o que estou relatando, em 1996 visitei um bairro comercial no Cairo, Egito, que fiquei surpreso, pois o mesmo parecia o bairro do Brás em São Paulo, só que com propagandas em ideogramas árabes. Um trecho de cidade genérica.

A conurbação é uma epidemia global, onde temos que lutar para que ela aconteça em nossa cidade de maneira controlada, respeitando alguns elementos arquitetônicos que contam a história dos nossos antepassados, respeitando de certa forma nossas tradições.

Os cidadãos devem ser conscientizados da importância deste respeito à  identidade da cidade, pois como já houve estudos da ONU, onde afirmam que quando perdemos as referencias urbana, causam estresse em seus habitantes.

Sugerimos de que quando necessário não deveríamos mais demolir nenhum edifício da cidade e sim desconstrui-lo.

A desconstrução ou demolição seletiva de um edifício é um processo que se caracteriza pelo seu desmantelamento cuidadoso, de modo a possibilitar a recuperação de materiais e componentes da construção, promovendo a sua reutilização e reciclagem.

Este conceito surgiu na Europa, em virtude do rápido crescimento da demolição de edifícios e da evolução das preocupações ambientais da população. A desconstrução abre caminho à valorização e reutilização de elementos e materiais de construção que de outra forma seriam tratados como resíduos sem qualquer valor, e removidos para locais de depósito por vezes não autorizados para esse fim.

Nossas universidades e escolas técnicas existentes na cidade deveriam vem com mais atenção esta sugestão, onde pode ter o envolvimento de vários profissionais que vão de futuros arquitetos, engenheiros civil, engenheiro mecânico, engenheiro químico, biólogos, historiadores e os profissionais da área de meio ambiente.

Na desconstrução como objeto de estudo, é possível entender o processo construtivo da época, e se for o caso criar um registro por meio de maquetes físicas ou eletrônicas da edificação para que possa posteriormente compor a história de nossa cidade.

Com certeza com a desconstrução teríamos diminuição da excessiva produção de resíduos da construção bem como introduziríamos os princípios da sustentabilidade e ecoeficiencia, desenvolvendo soluções construtivas que permitam a aplicação prática viabilizando a construção de edifícios duráveis, adaptáveis, com materiais de menor impacto ambiental e com grande potencialidade de reutilização.

Profissionais da área de construção civil vamos refletir sobre esta sugestão de demolir não, desconstruir sim.

Paulo Pinhal

www.colégiodearquitetos.com.br

www.pinhalarquitetura.com.br

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Oscar Niemeyer

Oscar Niemeyer

AD Interviews: Oscar Niemeyer

Site www.archdaily.com

Entrevista por  David Basulto

Oscar Niemeyer

A última parte do nosso dia no Brasil, comemorando o aniversário de 104 do renomado arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer e o lançamento de Archdaily Brasil: Uma entrevista exclusiva com o próprio Sr. Niemeyer.

– Como você começou seu escritório?

Meu escritório em uma Copacabana, a única que eu tenho foi aberto e organizado para atender, desde o início dos anos 50, a crescente demanda. Nos últimos 13 anos tenho sido o arquiteto só aqui “no trabalho”, a fase inicial do projetos é feito por mim, até o projeto básico, e então eu confio o seu desenvolvimento para outros escritórios de arquitetura, especialmente os dirigidos por meu amigo  Jair Valera e minha neta querida, Ana Elisa.

– Para você, o que é Arquitetura?

Na minha opinião, a arquitetura é invenção. E sob esse prisma é como eu faço meus projetos, sempre em busca de soluções bonita, expressiva, diferente e surpreendente.

– Você foi muito ativo durante um período de mudanças políticas e sociais. Qual deve ser o papel dos arquitetos na nossa sociedade?

O arquiteto é um cidadão como qualquer outro, sempre aberto para atender qualquer tipo de programa apresentado a ele, e ser constantemente conscientes da necessidade da sociedade de mudar, de promover um mundo justo e solidário.

– Qual é a importância da inovação para o seu escritório?

Nosso escritório está perseguindo constantemente a inovação, tentando manter o meu próprio estilo livre de arquitetura mais aberta, mais pessoal e suave, que eu faço há mais de seis décadas. Através de meus desenhos tenho dados aos engenheiros a oportunidade de inovar em seu campo, como o meu amigo José Carlos Sussekind, reconhecido como a pessoa responsável para as estruturas concebidas por mim no livro “Conversa de Amigos” – Editora Revan, Rio de Janeiro).

– Qual é a importância do networking para você?

Eles tornaram-se algo fundamental na nossa idade.

– Qual é a importância da Internet para o seu escritório?

Eu acho que a Internet é mais útil para os meus colegas e colaboradores do meu escritório – especialmente os que trabalham em nossa revista “Nosso Caminho” -. O que estou dizendo aqui também se aplica a Vera, minha esposa. É verdade que as pessoas que trabalham no escritório do Jair e da Ana Elisa aproveitam mais a rede mundial de computadores do que eu.

– O que você recomendaria a alguém que quer estudar Arquitetura?

Que nunca deixe as disciplinas mais técnicas enfraquecerem ou influenciar negativamente a intuição criativa do aluno. E nunca subestimar a importância da leitura: é preciso sempre ler, principalmente sobre temas não relacionados à profissão.

Quem aspira a ser um arquiteto precisa olhar para uma formação ampla e crítica, como profissional e como cidadão.

– Então, como se preparar para o mundo depois de estudar?

Para mim a leitura é fundamental. Eu expressei isso no meu livro “Ser e a Vida”, editado pelo meu amigo Renato Guimarães.

– O que você pode nos contar sua experiência após a partida e executando uma prática arquitetônica?

Eu consegui construir um escritório em Copacabana há 50 anos, e para mais de uma década eu era o único arquiteto. Eu elaborarava o projeto, definia o projeto básico e só então eu confiava para outro escritório para desenvolvê-lo – quase o tempo todo sob a direção de minha neta Ana Elisa e meu bom amigo Jair Valera, como eu disse antes.

Para gerenciar cada projeto é algo muito pessoal e, portanto, relacionados com as minhas decisões. Tudo funciona muito bem no meu escritório. É uma decisão que parece manter uma arquitetura livre, mais leve, focado na busca da beleza, a surpresa da arquitetura. Uma arquitetura que tenho defendido há muito tempo.

– Qual é a sua visão sobre o estado atual da arquitetura brasileira?

Estou muito consciente sobre o nível de qualidade que tem sido alcançado por arquitetos brasileiros e estrangeiros. Cada arquiteto deve ter sua arquitetura, e de crescer, de forma independente, sua intuição criativa e para evitar repetição.

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Solange Parada

Arquiteta Solange Parada

O profissional arquiteto deve amar o que faz, afinal lida com pessoas todo o tempo e o projeto que cria talvez permaneça na vida do cliente para sempre. É assim com a arquiteta Solange Parada, formada em 1980 na Universidade Braz Cubas e que diz de boca cheia: “Neste ano comemoro 30 anos de formada!!!”. Para homenageá-la e parabenizá-la, o CDA em Revista abre este espaço de entrevista para que Solange possa dizer o que a Arquitetura significa para ela, tanto profissional quanto pessoalmente. A seguir, uma das profissionais de referência em Mogi das Cruzes explica que descobriu a vocação estudando e fazendo Arquitetura. Continue lendo Solange Parada

Emilia Fuke

Arquiteta EMILIA FUKE

Colégio de Arquitetos – Quando descobriu que queria ser arquiteta?

Emilia Fuke – Escolhi esta profissão na adolescência, direcionando o curso para a área de exatas e desenhos técnicos.

CDA – Qual sua formação profissional? Onde estudou?

EM – Graduação em Arquitetura e Urbanismo na UMC e pós-graduação em Perícias e Avaliações em Engenharia na FAAP.

CDA – Quem ou o que te inspirou?

EM – Cresci brincando com argila, trabalhos manuais, tocando instrumentos musicais e origamis. Sempre admirei o trabalho do meu pai, engenheiro mecânico. Utilizava réguas “diferentes”, calculadoras e elaborava desenhos técnicos de peças e engrenagens.

CDA – Como começou na profissão?

EM – Estagiei desde o primeiro ano da faculdade em um grande escritório de arquitetura e engenharia em São Paulo. Desenvolvi vários projetos de edificações. Após formada, fiquei dois anos como responsável pelos projetos, aprovações e assinando como autora dos projetos.

CDA – Os seus trabalhos seguem algum estilo?

EM – Não existe um “estilo” EMÍLIA FUKE. Há uma maneira de pensar, conceitos em evolução. Respeito a topografia, integração com a natureza e paisagem, utilização de todos os espaços com mais de uma função e especificando novos materiais.

CDA – Dentro do ramo da arquitetura e urbanismo, qual a sua especialidade?

EM – Desenvolvimento de Projetos de Edificações Residenciais Unifamiliares e Multifamiliares, Esportivos, Religiosos e Corporativos.

CDA – Na sua opinião, o que caracteriza um bom projeto?

EM – Conseguir aliar estética, função, tecnologia e orçamento.

CDA – Como a tecnologia auxilia o seu trabalho?

EM – A tecnologia agiliza todas as etapas do escritório, principalmente na elaboração do projeto.

CDA – É utilizado algum recurso na criação dos projetos? Qual?

EM – Ferramentas 3D para criação e apresentação do projeto.

CDA – Qual o seu último trabalho?

EM – No momento, estou desenvolvendo e finalizando diversos trabalhos, posso destacar a reforma e paisagismo da área de lazer e social de um edifício residencial multifamiliar em São Paulo.

CDA – Qual sua marca registrada, algo que você sempre faz em seus projetos?

EM – Espaços multiusos com grandes vãos e iluminação natural, ponto fundamental do projeto. Ambientes sociais e de lazer integrados com área verde. Grandes abas e lajes em balanço. Baixo custo de obra evitando utilizar muros de arrimo e aterramentos. Reuso da água. Qualidade do espaço com foco no usuário usando a criatividade e novos materiais.

CDA – Qual o seu conselho para os futuros arquitetos?

EM – Assim como os arquitetos, hoje, todas as profissões exigem formação geral com visão tecnológica, ecológica, político e cultural. Acompanhar as tendências do mercado, saber utilizar novas opções de ferramentas de trabalho, atualizar em cursos e pesquisas, não se esquecendo do caráter humanístico inerente à nossa formação.

CDA – Qual sua visão sobre a profissão no Brasil?

EM – A perspectiva profissional é rica e dinâmica. O profissional tem possibilidade de atuar em diversos setores, como na área de design gráfico, design de mobiliário, design de automóveis, arte, engenharia, moda e cenografia.

O mercado de trabalho está em alta, com os integrantes do setor da construção civil otimistas e a valorização dos serviços de projetos de interiores e paisagismo.

CDA – Deixe uma mensagem ou uma frase para os colegas arquitetos.

EM – Deixo a mensagem do filósofo contemporâneo Eduardo Galeano quando trata dos sonhos: “A Utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a Utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”. Enfim, nossa bela profissão, deve ter em conta também a realização de sonhos, proporcionando um constante caminhar…

Arq. EMILIA FUKE

[email protected]

fone   11 4794-6364

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